Mostra exibe produção cinematográfica de países árabes

1 de setembro de 2017
Por meio de uma parceria entre o Programa Janela Indiscreta Cine-Vídeo Uesb e o Zawya Cineclube, será realizada a Mostra “Zawya ocupa Janela: mostra de cinema árabe contemporâneo”, no campus de Vitória da Conquista, com curadoria de Euclides Santos Mendes.
O Zawya Cineclube é um espaço de reunião de apreciadores do cinema de língua árabe, fundado em janeiro de 2016, em São Paulo, por estudantes de Árabe da Universidade de São Paulo (USP). Reunindo cinco filmes, produzidos entre 2007 e 2014, a Mostra objetiva traçar um pequeno panorama da produção cinematográfica contemporânea de diferentes países de língua árabe.
As exibições acontecerão às terças-feiras, na sala de projeção Jorge Melquisedeque, localizada no módulo da TV e Rádio Uesb, às 19 horas, com comentários de uma discente e de professores do Curso de Cinema e Audiovisual da Uesb.
A mostra inicia-se com a exibição de O sonho de Wadjda (2012), primeiro longa-metragem inteiramente filmado na Arábia Saudita. O filme foi dirigido pela cineasta saudita Haifaa al Mansour, num país onde as mulheres sofrem diversas restrições. Coproduzido com recursos sauditas e alemães, O sonho de Wadjda narra a história da menina Wadjda (Waad Mohammed), que sonha em poder andar livremente de bicicleta, apesar de crescer numa sociedade em que as mulheres são cotidianamente oprimidas, inclusive pelas próprias mulheres. Para conquistar sua tão sonhada liberdade, simbolizada pelo direito de poder andar de bicicleta, Wadjda encontra uma solução criativa dentro do mesmo sistema conservador que a oprime. Premiado no Festival Internacional de Cinema de Veneza, a obra é uma reflexão humanista sobre a condição feminina a partir do olhar da infância.
A situação da mulher na sociedade árabe é também tema de Caramelo (2007), filme de estreia como diretora da atriz libanesa Nadine Labaki. O longa-metragem tem como microcosmo narrativo um salão de beleza em Beirute. Em meio a rituais de externalização da beleza feminina, as personagens assumem, num tom quase arquetípico, alguns dos dramas vividos pela mulher libanesa. O filme também aborda as contradições de relações humanas marcadas pelo desejo de liberdade e pela incompatibilidade entre afetividade e opressão.
A mostra segue com a exibição do filme A praça (2013), documentário dirigido pela cineasta egípcia Jehane Noujaim que trata da ocupação política da praça Tahrir, no Cairo, por milhares de manifestantes em janeiro de 2011. A ocupação da praça central do Cairo detonou a Primavera Árabe egípcia, que culminou com a queda da ditadura que, ao longo de 30 anos, manteve o militar Hosni Mubarak no governo do Egito. Coprodução entre Egito e Estados Unidos, A praça venceu prêmios nos festivais de cinema de Berlim e Sundance e recebeu uma indicação ao Oscar de melhor documentário. O filme conta a história da mobilização popular na praça Tahrir, da violenta repressão do Estado e dos desdobramentos políticos na sociedade egípcia, como a eleição presidencial e posterior deposição de Mohamed Morsi, representante da Irmandade Muçulmana eleito após os protestos públicos contra Mubarak e a junta militar que substituiu o ditador.
Guerra e infância estão presentes em O lobo do deserto (2014), filme que narra a história do menino Theeb (Jacir Eid Al-Hwietat) enquanto guia um militar britânico pelo deserto jordaniano. Ambientado à época da Primeira Guerra Mundial, o filme constitui um rito de passagem e amadurecimento na vida de Theeb, cujo nome significa “lobo”. Coprodução internacional envolvendo Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Reino Unido, foi indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Segundo o diretor Naji Abu Nowar, jordaniano nascido e criado no Reino Unido, O lobo do deserto é um “western beduíno”, tentativa de aproximação do filme com o cinema norte-americano.
A mostra encerra-se com a exibição de Timbuktu (2014), coprodução entre Mauritânia e França dirigida pelo cineasta mauritano Abderrahmane Sissako. O filme, indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes e ao Oscar de melhor filme estrangeiro, é ambientado na histórica cidade malinesa e narra a violência do radicalismo político-religioso no cotidiano da população local. Os grupos fundamentalistas islâmicos que dominam a cidade impõem restrições e proíbem até mesmo a música. Com fotografia que destaca a cor e a beleza do deserto do Saara, Timbuktu é uma reflexão sobre os limites entre cultura e fundamentalismo.
Para saber mais informações, entre em contato com o Janela Indiscreta por meio do telefone (77) 3425-9330 ou pelo e-mail janelaindiscretacinevideo@gmail.com. Clique aqui para acessar a programação.